A mudança de comportamentos é um processo difícil que passa por várias etapas diferentes. Recorrendo a um conceito utilizado na linguagem do coaching, a fase de transição é quando a pessoa já não está na situação em que estava, mas também ainda não se encontra completamente na nova situação, ou seja, perdeu a segurança que tinha na situação antiga, mas ainda não sentiu os benefícios da nova situação. Nesta altura vivem-se sentimentos de insegurança, medo, incerteza, desamparo e a pessoa poderá beneficiar se recorrer a um profissional que a ajude a identificar ou criar os seus próprios recursos e a mudar a sua forma de pensar.
Descrevendo o modelo de transição, a pessoa inicia com uma insatisfação, um desafio, originando um desejo de mudança. Esta mudança provoca medo, medo esse que pode dificultar a mudança e limitar a acção que, por sua vez, origina sentimentos de frustração. Este ciclo poderá terminar de forma abrupta, com a própria pessoa a projectar-se para fora desse ciclo, devido ao facto de ter sido levada até ao seu limite. Esta saída repentina pode ser muito dolorosa, mas é melhor do que nada. Assim que está fora desse ciclo de medo e frustração, a pessoa precisa de um apoio profissional que a ajuda na tomada de acções que a façam avançar em direcção ao objectivo. Assim que a pessoa toma uma acção atinge o ponto crucial, a transição, que por sua vez irá permitir a mudança de crenças sobre si próprio, sobre os outros e sobre aquilo que é possível. Nesta altura é necessário lidar com a perda e, melhor do que sentir que se perdeu algo, é sentir que se escolheu outra coisa, deixando a primeira, realçando o sentido de poder de escolha, em vez de perda. Após ultrapassar o ponto de transição, a pessoa terá todo um conjunto de aprendizagens que, por sua vez, irão permitir alterar e ganhar novos hábitos. Finalmente, conseguindo atingir a transição, surgirão novos desafios com os quais a pessoa terá de lidar também.
Para mudar a nossa vida, passarmos pela transição, é necessário mudar hábitos e ganhar uns novos. Os hábitos são aquilo que fazemos sem pensar, dão estabilidade à nossa vida e, quando queremos mudar, eles resistem a essa mudança. Aquilo que nos faz resistir e ficar na mesma situação é o que a PNL chama de âncora, porque ficamos presos, é o que faz com que automaticamente respondamos a determinado estímulo de determinada maneira. As âncoras podem ser visuais, olfactivas, cinestésicas, gustativas, podem também ser palavras porque evocam determinadas ideias. Na perspectiva do coaching, não importa se essas âncoras evocam bons ou maus sentimentos, o que interessa é que são habituais. E o primeiro passo para a mudança é tomar consciência das âncoras que suportam os hábitos, para depois se poder criar novos hábitos que possam suportar a mudança e, finalmente, arranjar novas âncoras que suportem os novos hábitos. A pessoa tem de ter consciência do presente para depois construir o futuro. E a auto-observação é uma importante estratégia para se conseguir tomar consciência, apenas observando, sem julgar. O processo de transição traz também consequências para os relacionamentos das pessoas. Se uma pessoa muda, os seus relacionamentos irão também mudar.
Referência: “Coaching with NPL”, Joseph O’Connor, Andrea Lages (2004)
