A mudança começa quando damos espaço ao que sentimos
Acredito que cada pessoa tem dentro de si uma essência, aquilo que surge quando conseguimos contactar com o que é mais autêntico, pleno e verdadeiro. O contacto com a nossa essência, com o nosso Eu mais puro, surge depois de compreendermos e aceitarmos os lugares emocionais onde nos encontramos e deixarmos cair as barreiras, as máscaras e o ruído que a vida nos impôs. É essa essência que procuramos (re)encontrar ao longo do processo terapêutico, não como ponto de partida, mas como destino possível quando nos aproximamos das nossas emoções com verdade e autenticidade.
Trabalhar com emoções não é apenas compreendê‑las racionalmente. É permitir que elas se revelem tal como são, com a sua intensidade, a sua história e a sua necessidade. A aceitação é sempre o primeiro passo: olhar para a emoção sem julgamento, reconhecer o que ela traz, perceber o que procura proteger ou sinalizar. Só quando uma emoção é verdadeiramente acolhida é que se torna possível transformá‑la. E essa transformação (que não é substituição, porque não mandamos naquilo que sentimos) acontece sempre através de outra emoção. Não mudamos medo com lógica, mas com segurança. Não mudamos vergonha com argumentos, mas com compaixão. Não mudamos solidão com explicações, mas com ligação. É este encontro entre a emoção antiga e uma nova experiência emocional que permite que o corpo aprenda algo diferente e que a pessoa comece a responder ao mundo de forma mais livre, sem ficar refém de emoções difíceis desencadeadas por situações ou experiências do passado.
Assim, à medida que a emoção é acolhida e transformada, novos significados começam a surgir e a pessoa compreende melhor o que sente, o que precisa, o que teme e o que deseja. E, com isso, nasce uma nova liberdade interna e consequente paz interior, porque já não está a lutar contra aquilo que está a sentir.
Para que isto seja possível, a terapia precisa de um espaço seguro e de uma relação empática, onde a pessoa se sinta acompanhada e não julgada. A minha postura é estar presente, disponível e atenta, criando condições para que emoções difíceis possam emergir sem que a pessoa volte a ficar sozinha com elas. A partir daí, trabalhamos com tarefas específicas que ajudam a ativar a emoção certa, no momento certo, para que ela possa ser revista, compreendida e atualizada.
O processo é profundo e transformador: chegamos à emoção que dói, colocamos palavras onde antes havia apenas tensão, confusão ou silêncio, e damos-lhe significado. Quando a pessoa está verdadeiramente nesse lugar emocional, abrimos caminho para sair dele, trazendo novas emoções que reescrevem a experiência interna. É assim que se passa, por exemplo, do medo para a segurança, da autocrítica para a autoaceitação, da raiva contida para a assertividade, do desespero para a esperança realista, da confusão para a clareza, da tristeza paralisante para a capacidade para avançar. Este trabalho é sustentado pela Terapia Focada nas Emoções, uma abordagem experiencial baseada em anos de investigação sobre mudança emocional.
A terapia torna-se então um caminho de reencontro e resgate da essência: aquilo que a pessoa sempre foi, mas que ficou escondido debaixo de camadas de dor, exigência ou sobrevivência emocional. O meu papel é acompanhar esse caminho com rigor, presença e humanidade, criando condições para que a mudança emocional aconteça de forma real e duradoura, permitindo que a pessoa viva com mais paz interior e liberdade.
(imagem criada com recurso a IA)











