O “passenger mode” e o futuro emocional e relacional de uma geração

Há fenómenos que só percebemos verdadeiramente quando começamos a ver o seu eco na vida adulta, não apenas na identidade individual, mas também na vida a dois. O “passenger mode” é um deles.

Foi ao ler o artigo The Teen-Disengagement Crisis (The Atlantic, 2025) que conheci a expressão “passenger mode”, que me ficou gravada e deu nome a muito do que vejo hoje em dia: adolescentes que deixam de se ver como protagonistas da própria aprendizagem e passam a ocupar um lugar passivo, quase anestesiado, no seu percurso escolar e no seu desenvolvimento. Deixam-se ir no lugar do passageiro…

Não é um fenómeno novo, mas está a tornar-se demasiado frequente para ser ignorado. E, na verdade, no meu trabalho vejo o que acontece quando este desligamento não é travado a tempo.

Faço aqui uma reflexão dividida em cinco partes: o que está a acontecer, o reflexo disso que vejo na minha prática clínica, o que potencia este fenómeno, o que falta aos adolescentes de hoje e o que podemos fazer.

1. O silêncio que se instala

O artigo descreve algo que muitos professores, psicólogos e pais reconhecem: por volta do 7.º ou 8.º ano, o interesse pela aprendizagem cai abruptamente. Não é apenas desmotivação escolar, é uma espécie de retração existencial. Uma sensação de que “não vale a pena”, “não faz diferença”, “não sou bom o suficiente”.

Jonathan Haidt tem vindo a alertar para isto há anos. A combinação de hiperexposição digital, redução da autonomia real e aumento da ansiedade criou uma geração que vive mais no ecrã do que no mundo, mais na comparação do que na experiência, mais no medo do erro do que na curiosidade. Este psiquiatra e autor do livro A Geração Ansiosa refere mesmo que a ansiedade é o preço a pagar por uma infância vivida sem riscos (dentro daquilo que é esperado e saudável que uma criança experiencie) e que é fundamental preparar a criança para fazer o seu caminho, e não preparar o caminho para a criança o fazer.

Em Portugal, os dados confirmam esta tendência:

  • O relatório PISA 2022, referenciado no “Monitor da Educação e da Formação de 2025”, mostrou que Portugal teve uma das maiores quedas de sempre em literacia matemática e científica, acompanhada por um aumento significativo de ansiedade escolar.
  • A OCDE, no estudo Child, Adolescent and Youth Mental Health in the 21st Century, identificou que Portugal é um dos países onde a pressão académica e o mal-estar emocional dos adolescentes mais se destacam. Entre os dados mais gritantes está a evolução da percentagem de jovens de 15 anos que relatam sentimentos de tristeza ou desesperança.
  • O estudo Health Behaviour in School-aged Children (2022) revelou que os adolescentes portugueses estão entre os que mais referem sentir-se cansados, desmotivados e emocionalmente sobrecarregados.

Não é difícil perceber porque é que tantos entram em “passenger mode”.

2. O reflexo do “passenger mode” que vejo na minha prática clínica

Enquanto psicóloga de jovens adultos e casais, vejo o prolongamento deste fenómeno e isto manifesta-se de formas muito concretas:
  • Os jovens adultos têm muita dificuldade em tomar decisões, não por falta de inteligência, mas por falta de prática. Cresceram a cumprir, não a decidir, o que faz com que, entrando na vida adulta, vivam com muita ansiedade e angústia os momentos em que têm de fazer escolhas, tendo muito medo de errar. Ouço frequentemente frases como “tenho medo de tomar decisões”, “não sei o que quero”, “não quero falhar, por isso não tento”.
  • Muitos adultos vivem em piloto automático, ou seja, até podem ser profissionalmente competentes, mas estão emocionalmente desligados, caindo no desânimo e na falta de propósito. Sabem fazer, mas não sabem porquê.
  • As relações são marcadas por evitamento ou dependência. Os jovens não aprenderam a pedir, a negociar, a ajustar ou a reparar emocionalmente. Têm medo de se mostrar vulneráveis e não aprofundam verdadeiramente as ligações emocionais, ficando mais na superficialidade (“é mais seguro”). A psicóloga Esther Perel refere que a qualidade das nossas relações determina a nossa qualidade de vida. Fala de “inteligência relacional” e em como ninguém nasce com esta competência, tendo de ser treinada, construída, experimentada. Mas um adolescente em “passenger mode não experimenta, cumpre ou deixa-se ir. E cumprir ou deixar-se ir não é o mesmo que viver.
  • Casais que não sabem discutir sem se magoar, porque nunca aprenderam a tolerar desconforto, a sustentar um conflito ou a defender um ponto de vista sem medo de rejeição.

3. O que está na raiz do “passenger mode”?

Não é preguiça, nem falta de valores. Não é “a geração mais frágil de sempre” ou “menos capaz” ou que “não quer saber”. É um conjunto de fatores que acabam por se reforçar mutuamente. São as escolas sobrecarregadas, com currículos extensos e pouca margem para a criatividade. São as famílias exaustas, com menos tempo, mais pressão e mais ansiedade. É uma sociedade acelerada, que valoriza desempenho e visibilidade, promove mais o “ter” do que o “ser”, em detrimento da profundidade e da autenticidade. São os ambientes digitais que aprisionam a atenção, aumentam a comparação e reduzem a tolerância à frustração. É a incapacidade de abrandar, o medo constante de perder algo, que nos mantém num estado de hiperestimulação que anestesia mais do que nos entusiasma. É a falta de espaço para a autonomia real, para errar, experimentar, questionar.

Jonathan Haidt resume isto de forma simples “estamos a criar adolescentes seguros demais para arriscar e ansiosos demais para agir.”

4. O que falta, então, aos adolescentes e jovens?

Aquilo que falta aos adolescentes e jovens de hoje são competências que, quando ausentes, reaparecem como fragilidades na vida adulta e nas relações: autonomia, propósito e gosto pelo desafio.

Falta autonomia, não para fazerem o que quiserem, mas para terem espaço para decidir e para se responsabilizarem e lidarem com as consequências.

Falta propósito, não para serem os maiores e alimentarem a ânsia de TER mais, mas para darem sentido à sua vida, motivando-se para SER mais, tornando-se cada vez melhores pessoas, contribuindo para um mundo melhor.

Falta o gosto pelo desafio e pelo questionamento. A curiosidade é uma das competências que mais falta faz aos adolescentes de hoje. A curiosidade desenvolve pensamento crítico e resiliência e é um motor para a vida adulta, permite-nos avançar e evoluir.

5. E qual é o nosso papel? O que podemos fazer enquanto família, escola e sociedade?

Mais do que o que devemos fazer, é necessário pensar que tipo de presença queremos ser na vida dos adolescentes que crescem connosco. Porque eles não precisam de mais regras, nem de mais discursos e instruções. Precisam de adultos que lhes mostrem o mundo como um lugar seguro, curioso e onde é possível ser feliz.

Precisam de sentir autonomia, não como independência precoce descontrolada, mas como um espaço real para experimentar, testar limites, errar sem serem esmagados pela culpa ou pela vergonha. A autonomia não se ensina aos 18 anos, mas sim desde pequenos, nos momentos em que confiamos antes de controlar.

Precisam de ambientes onde a segurança emocional é real e não um “cliché”. Lugares onde o vínculo vale mais do que o desempenho, onde a relação vem antes da exigência. Como diz Jane Nelson, autora da disciplina positiva, “connect then correct”, pois a aprendizagem nasce da conexão, do encontro, e não do medo.

Precisam que falemos de futuro com abertura e flexibilidade, e não como um destino fechado e rígido. O futuro não é um lugar que fica no fundo do caminho, é um horizonte para o qual os adolescentes só querem navegar quando se sentem livres e sem medo de julgamentos e de crítica.

Precisam de silêncio, de pausa e até de tédio. Não diabolizando a tecnologia, que traz muitos benefícios, numa era em que a atenção dos adolescentes é roubada a cada segundo, o maior presente que lhes podemos dar é espaço mental, para que possam ouvir-se e descobrir-se a si próprios.

Precisam que valorizemos o processo e não apenas o resultado. E que bom que é usufruirmos do processo, valorizando as pequenas conquistas e aprendendo com o que corre menos bem.

E precisam de escolas que tenham tempo, equipas educativas e condições para ensinar e educar com sentido. Sem segurança emocional, não há aprendizagem efetiva.

Concluindo, o adolescente que hoje vive em “passenger mode” é o jovem adulto que amanhã tem medo de arriscar, evita decisões, duvida do seu valor, entra em relações com insegurança e sente que a vida “lhe acontece”.

É urgente devolver aos jovens a sensação de que são protagonistas da própria vida. A felicidade, como lembra Arthur Brooks, depende de agir e não de esperar que a vida aconteça. E o “passenger mode” é precisamente a perda desta ação.

O desconforto faz parte e é essencial para o crescimento emocional. Não é por acaso que se fala em “dores de crescimento”. Crescer dói, mas ficar preso e não crescer dói muito mais.

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Mediação Familiar: um caminho para a cooperação após o divórcio

O divórcio é um processo complexo e dinâmico.

O divórcio não é um evento único e estático, nem para os pais, nem para os filhos. É um entrelaçar de diversos eventos e situações, não só a nível familiar, mas também a nível legal, social, psicológico, económico. É um processo que se inicia com o degradar da relação do casal e que culmina com a separação, impactando em todas as dimensões da pessoa, seja adulto, seja criança (dimensão pessoal, familiar, social, académica, profissional). Após a separação/divórcio, seguem-se anos de adaptação e reajuste até que os adultos encontrem um novo equilíbrio. E esse tempo, sejam 2 ou 3 ou mais anos (que refletem alguma instabilidade e desequilíbrio), significam uma grande parte da vida de uma criança (se tiver 9 anos, por exemplo, é um terço da vida da criança). Assim, torna-se fundamental que os pais que se separam vejam este processo como algo complexo e dinâmico e que impacta significativamente a sua vida e também a dos seus filhos.

Felizmente, há muitos estudos que têm vindo a demonstrar os aspetos aos quais os pais e profissionais que atuam nesta área devem estar atentos, bem como estratégias para minimizar o impacto negativo na vida das crianças. Há diversos programas validados cientificamente que proporcionam o desenvolvimento de competências parentais e de coparentalidade saudável, apoiando pais e filhos na vivência deste evento familiar. Há ainda intervenção psicológica específica no pós-divórcio com o objetivo de acompanhar os pais no processo de separação e do luto da relação, ajudando a pessoa a gerir emoções difíceis como tristeza, revolta, frustração, medo, insegurança, desamparo, bem como a dar novos significados à sua experiência e encontrando novos equilíbrios.

O bem-estar das crianças depende sobretudo do comportamento dos pais, sendo que aquilo que mais o prejudica não é o divórcio em si, mas o perpetuar do conflito parental. As crianças expostas a hostilidade, triangulação ou conflitos de lealdade (ou seja, verem-se na posição de ter de escolher entre o pai ou a mãe) apresentam maior risco de ansiedade, depressão e dificuldades ao nível escolar. Quando os pais conseguem manter uma cooperação saudável, mesmo não gostando mais um do outro como casal, os filhos tendem a adaptar‑se melhor.

A parentalidade após o divórcio exige uma reorganização, quer interna (a nível emocional e psicológico), quer externa (a nível de rotinas e de logística), obrigando a mudanças e adaptações que muitas vezes colidem com expectativas antes criadas, podendo impactar de forma significativa no bem-estar de todos. É preciso tempo para que todos façam o seu caminho (pai, mãe e filhos) e respeito pelo ritmo de cada um.

Mediação Familiar como uma resposta que contribui para a diminuição do conflito e promove decisões mais seguras e protetoras para toda a família.

Muitos pais ficam presos ao conflito conjugal e têm dificuldade em transitar para um papel exclusivamente parental. E a capacidade de separar o plano ex-casal (que terminou) do que é exclusivamente do plano parental (que continua) é essencial.

É aqui que pode ser útil recorrer a uma intervenção de Mediação Familiar. A mediação ajuda os pais a centrarem-se nos filhos. É fundamental que ambos trabalhem o respetivo sofrimento emocional (intervenção de natureza mais psicológica), mas a mediação familiar é um espaço estruturado onde os pais são ajudados a reconstruir uma visão parental conjunta, mesmo após o término da relação conjugal. Trata-se de uma intervenção, com um mediador neutro e imparcial, que ajuda as partes a comunicar de forma mais clara, a compreender as necessidades dos filhos e de cada um dos pais, contribuindo para a construção de consensos adequados à realidade atual, zelando pela proteção e pelo bem-estar dos filhos. É uma intervenção orientada para o futuro, que visa reduzir o conflito interparental e ajudar a proteger as crianças, promovendo uma comunicação mais eficaz e funcional, acordos claros e previsibilidade. É uma intervenção centrada nos interesses das partes e não nas posições de cada uma (quem está certo/errado) e orientada para soluções práticas.

As sessões de mediação familiar permitem que os pais trabalhem no sentido da organização prática da vida familiar, na melhoria da comunicação e na tomada de decisões responsáveis e de cooperação. O mediador pode atuar a vários níveis:

  • Promover a criação de planos parentais realistas e adaptados à idade das crianças – pode ajudar a negociar ou rever o Acordo de Regulação das Responsabilidades Parentais, incluindo a organização do tempo com as crianças, organização de férias, logística diária, decisões sobre escola, saúde e atividades extracurriculares;
  • Definir canais de contacto adequados;
  • Clarificar responsabilidades e expectativas parentais;
  • Promover estratégias de comunicação e de gestão de conflitos entre os pais para reduzir a hostilidade, melhorar a escuta e transformar acusações em necessidades, prevenindo desentendimentos futuros.

A mediação familiar é indicada quando ambas as partes estão dispostas a conversar e a procurar acordos, mesmo existindo desacordos ou emoções difíceis. Como vantagens, a mediação familiar:

  • Diminui a escalada de conflito e, consequentemente, o grau de litígio judicial, reduzindo custos financeiros e emocionais;
  • Proporciona mais estabilidade e protege as crianças do conflito, reduzindo problemas emocionais e comportamentais;
  • Contribui para o envolvimento dos pais no estabelecimento de acordos, trazendo maior satisfação e cumprimento, aumentando a corresponsabilização e o comprometimento de cada um;
  • Contribui para a promoção de competências parentais e de comunicação;
  • Evita ruturas irreparáveis, preservando as relações familiares.

No entanto, há situações em que a mediação familiar não é indicada:

  • Quando existe violência doméstica (física e/ou psicológica), a mediação pode colocar a vítima em risco, uma vez que existe assimetria de poderes e as negociações acabam por ser injustas.
  • Quando há desequilíbrios de poder significativos, com intimidação, manipulação e chantagem emocional, não havendo condições mínimas de equidade.
  • Quando há falta de vontade para cooperar, em que um dos pais participa apenas para ganhar tempo, evitar decisões ou manipular o processo, arrastando o processo judicialmente e contribuindo para o agudizar do conflito.
  • Quando existem situações de risco para a criança, como abuso, negligência grave ou qualquer outra situação que exija intervenção legal e de proteção rápida.
  • Em caso de psicopatologia grave (por exemplo, depressão grave, dependências graves), a mediação perde também eficácia, uma vez que a pessoa com essa condição não consegue participar racionalmente no processo.

A separação/divórcio é um processo exigente, mas não há necessidade de o viverem sozinhos e em conflito permanente. A mediação familiar oferece um espaço seguro e orientado para soluções, onde os pais podem trabalhar no sentido de uma maior cooperação e proteção dos filhos. Investir neste tipo de intervenção é investir na saúde psicológica e emocional da família e na construção de uma coparentalidade saudável. É escolher proteger o que realmente importa: o bem-estar dos filhos e a possibilidade de uma nova forma de família funcionar.

(Texto escrito para o Blog do site do Pausa para Sentir)

Como trabalho com as emoções?

A mudança começa quando damos espaço ao que sentimos

Acredito que cada pessoa tem dentro de si uma essência, aquilo que surge quando conseguimos contactar com o que é mais autêntico, pleno e verdadeiro. O contacto com a nossa essência, com o nosso Eu mais puro, surge depois de compreendermos e aceitarmos os lugares emocionais onde nos encontramos e deixarmos cair as barreiras, as máscaras e o ruído que a vida nos impôs. É essa essência que procuramos (re)encontrar ao longo do processo terapêutico, não como ponto de partida, mas como destino possível quando nos aproximamos das nossas emoções com verdade e autenticidade.

Trabalhar com emoções não é apenas compreendê‑las racionalmente. É permitir que elas se revelem tal como são, com a sua intensidade, a sua história e a sua necessidade. A aceitação é sempre o primeiro passo: olhar para a emoção sem julgamento, reconhecer o que ela traz, perceber o que procura proteger ou sinalizar. Só quando uma emoção é verdadeiramente acolhida é que se torna possível transformá‑la. E essa transformação (que não é substituição, porque não mandamos naquilo que sentimos) acontece sempre através de outra emoção. Não mudamos medo com lógica, mas com segurança. Não mudamos vergonha com argumentos, mas com compaixão. Não mudamos solidão com explicações, mas com ligação. É este encontro entre a emoção antiga e uma nova experiência emocional que permite que o corpo aprenda algo diferente e que a pessoa comece a responder ao mundo de forma mais livre, sem ficar refém de emoções difíceis desencadeadas por situações ou experiências do passado.

Assim, à medida que a emoção é acolhida e transformada, novos significados começam a surgir e a pessoa compreende melhor o que sente, o que precisa, o que teme e o que deseja. E, com isso, nasce uma nova liberdade interna e consequente paz interior, porque já não está a lutar contra aquilo que está a sentir.

Para que isto seja possível, a terapia precisa de um espaço seguro e de uma relação empática, onde a pessoa se sinta acompanhada e não julgada. A minha postura é estar presente, disponível e atenta, criando condições para que emoções difíceis possam emergir sem que a pessoa volte a ficar sozinha com elas. A partir daí, trabalhamos com tarefas específicas que ajudam a ativar a emoção certa, no momento certo, para que ela possa ser revista, compreendida e atualizada.

O processo é profundo e transformador: chegamos à emoção que dói, colocamos palavras onde antes havia apenas tensão, confusão ou silêncio, e damos-lhe significado. Quando a pessoa está verdadeiramente nesse lugar emocional, abrimos caminho para sair dele, trazendo novas emoções que reescrevem a experiência interna. É assim que se passa, por exemplo, do medo para a segurança, da autocrítica para a autoaceitação, da raiva contida para a assertividade, do desespero para a esperança realista, da confusão para a clareza, da tristeza paralisante para a capacidade para avançar. Este trabalho é sustentado pela Terapia Focada nas Emoções, uma abordagem experiencial baseada em anos de investigação sobre mudança emocional.

A terapia torna-se então um caminho de reencontro e resgate da essência: aquilo que a pessoa sempre foi, mas que ficou escondido debaixo de camadas de dor, exigência ou sobrevivência emocional. O meu papel é acompanhar esse caminho com rigor, presença e humanidade, criando condições para que a mudança emocional aconteça de forma real e duradoura, permitindo que a pessoa viva com mais paz interior e liberdade.

(imagem criada com recurso a IA)

Maria e José, exemplo de confiança e compromisso

Porque o amor prepara o caminho e o caminho faz-se de amor.

O amor de Maria e José é um testemunho silencioso de confiança, entrega e construção conjunta. Não foi um amor idealizado, mas sim vivido na vulnerabilidade, na coragem de acolher o inesperado e na fidelidade a um projeto em comum.

Este tempo de preparação para o Natal é um convite a desacelerar, a olhar para dentro e para o outro, a cultivar esperança e presença. Para os casais, crentes ou não, pode ser um momento para renovar compromissos: escutar mais, cuidar melhor, ir ao encontro do outro.

Maria e José são mais do que figuras de um presépio. São um casal que nos mostra, com simplicidade, que o amor verdadeiro se constrói sobre dois pilares fundamentais: a confiança e o compromisso.

Confiança, porque acreditaram um no outro mesmo diante do inesperado. A confiança existe quando a pessoa sabe que o outro pensa e age de forma a maximizar os seus interesses, beneficiando-o cada vez mais, não ficando apenas focado nos seus próprios interesses e benefícios. Não é ausência de conflito, é saber que, mesmo nas divergências, o outro está do nosso lado. É quando o outro nos defende numa conversa difícil, nos protege num momento de fragilidade, nos escuta sem nos criticar. José confiou em Maria, Maria confiou em José, e juntos confiaram que o caminho, ainda que incerto, seria possível se partilhado.

Compromisso, porque permaneceram fiéis ao projeto comum, mesmo sem garantias, mesmo sem compreenderem tudo. O compromisso não foi apenas uma promessa, foi presença, foi estar, cuidar, apoiar. É quando, mesmo cansados, decidimos preparar o jantar juntos. É quando, mesmo magoados, escolhemos conversar em vez de nos calarmos e afastarmos. É quando criamos um porto seguro emocional onde o outro pode pousar sem medo. O compromisso existe quando se acredita que a relação é para toda a vida, que ambos cuidarão dela, aceitando e agradecendo o bom e o mau, construindo, juntos, uma vida com significado partilhado.

Sem confiança não há segurança; e sem compromisso não há continuidade. Maria e José encarnam esta verdade: o amor prepara o caminho porque se apoia na confiança, e o caminho faz-se de amor porque se sustenta no compromisso.

O Advento é também este convite: preparar, esperar, acreditar. Para os casais, crentes ou não, é um tempo de reencontro com o essencial. Um tempo para cultivar confiança: escutando, acolhendo, respeitando, dando espaço ao outro para ser; e para cultivar compromisso: escolhendo estar, escolhendo cuidar, escolhendo permanecer, mesmo quando seria mais fácil fugir ou desistir.

Podemos olhar para o presépio como uma metáfora para a vida a dois: não é perfeito, não está acabado, mas sim disponível. Disponível para acolher o que ainda não sabemos e o que ainda não vivemos. Disponível para fazer do amor um caminho e do caminho um lugar onde o amor acontece e se constrói.

Reflexão a dois para este tempo de Advento:

  1. Como está a nossa confiança? Sentimo-nos seguros um com o outro? Sentimos que somos prioridade emocional na vida do outro?
  2. Estamos a honrar o nosso compromisso? Estamos a escolher estar, mesmo quando é difícil? Ou temos deixado que a rotina nos afaste?
  3. Temos tido tempo para partilhar? Há sentimentos, medos ou desejos que precisam de espaço para serem partilhados?
  4. Temos estado presentes um para o outro? Que pequenos gestos ou rituais podemos recuperar?
  5. Estamos a preparar o caminho ou apenas a sobreviver ao percurso? De que forma podemos intencionalizar o nosso tempo juntos e não nos deixar vencer pela rotina? O que podemos fazer para nos reencontrarmos e criarmos significado partilhado?

(imagem gerada com IA)

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Conhecem “Casais Robustos”?

Numa época em que as relações enfrentam ritmos acelerados e múltiplas exigências, o que distingue os casais emocionalmente resilientes?

Tal como nas fotografias que partilho (a primeira tirada pela Luísa Gonçalves da Costa e a segunda tirada por mim), há dias cheios de sol e outros de tempestade. Casais robustos são aqueles que, mesmo nos dias difíceis, não deixam que o mau tempo se instale para sempre no seu relacionamento. Enfrentam as tempestades lado a lado, com segurança e confiança de que o sol há de voltar (porque, na verdade, o “boletim meteorológico” da sua relação costuma apresentar céu limpo e brisa fresca).

Curiosamente, “Casais Robustos” também é o nome de uma aldeia do distrito de Santarém localizada numa encosta da Serra de Aire, pertencente à freguesia de Moitas Venda, Município de Alcanena e é parte integrante do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (para os mais curiosos, conheçam a sua origem em https://pt.wikipedia.org/wiki/Casais_Robustos). Ao passar por lá (só fotografámos à saída…), lembrei-me de casais robustos que conheço, pessoal e profissionalmente, e do esforço diário que fazem para o ser.

Mas afinal, o que é ser um casal robusto?

É ter um vínculo seguro, ou seja, aproveitar os momentos de bonança e, ao mesmo tempo, aguentar as tempestades sem abandonar o barco. É respeitar as diferenças, ficar um ao lado do outro mesmo quando há algum distanciamento e, acima de tudo, garantir que não se instala o desligamento emocional. Quando sentimos que o outro nos ama e nos valoriza, conseguimos atravessar qualquer tempestade.

No fundo, todos procuramos o mesmo: sentir-nos amados pelo que somos e reconhecidos pelo que fazemos. Quando isso falha, erguemos barreiras e recorremos a reações de autoproteção (afastamo-nos, reagimos em excesso ou ficamos sem ação) para não sentirmos rejeição ou abandono. No entanto, ao fecharmo-nos, cortamos precisamente a conexão de que mais precisamos.

Casais próximos e conectados emocionalmente são aqueles que compreendem os medos e as necessidades um do outro e procuram atendê-las. Dizer “preciso de atenção”, “preciso de espaço” ou “preciso de sentir segurança” é essencial e, quando estas necessidades são atendidas, o casal permanece próximo e seguro. Contrariamente, quando não são atendidas, surgem os comportamentos de protesto (como queixas, críticas, silêncios), que são sinais claros de pedidos não ouvidos. Esta ligação constrói-se no dia-a-dia, na forma como falam, como se comportam e até na forma como pensam um no outro.

Muitas das nossas necessidades emocionais de adultos têm origem na forma como fomos cuidados na infância. A teoria da vinculação mostra que, se crescemos a acreditar que emoções eram fraqueza ou que tínhamos de enfrentar dificuldades sozinhos, é provável que, em adultos, evitemos falar sobre o que sentimos. Fechamo-nos como defesa, mas o outro pode interpretar isso como desinteresse ou afastamento. Pelo contrário, quem cresceu a sentir-se ouvido e protegido aprende a procurar o outro em situações difíceis (para falar, partilhar, pedir presença). Porém, quando esta procura se torna intensa, o outro pode sentir-se invadido e acabar por recuar, deixando-nos com sentimentos de rejeição ou incompreensão.

Casais robustos não são casais sem conflitos. São aqueles que acreditam que, mesmo nos momentos difíceis, o outro vai estar lá para responder às suas necessidades. Mesmo que haja distância ou desencontros, confiam que vão reencontrar o caminho. E, quando falham, conseguem pedir desculpa, reparar e reconstruir a ligação. Ser casal robusto não é viver sem tempestades, mas ter a certeza de que, juntos, conseguem atravessá-las.

De que forma os chatbots “emocionalmente inteligentes” poderão desencadear uma nova crise de saúde mental?

A fronteira entre a ligação emocional humana e a ilusão digital está a tornar-se cada vez mais ténue. Que implicações isto terá na saúde mental coletiva?

“The result is chatbots that not only speak well but also feel human. They mirror the user’s tone, offer validation, and provide comfort without fatigue, judgment, or distraction. Unlike humans, they are always available. And people are falling for them. Media reports suggest that people are forming deep emotional attachments to these systems, with some even describing their experiences as love.”

Tenho vindo a ler e a refletir sobre o impacto da inteligência artificial na construção de relações humanas saudáveis e duradouras. Recentemente li um artigo muito interessante sobre “artificial intimacy” e que mostra como os jovens (e todos nós) estamos a reinventar a forma como vivemos e estabelecemos vínculos.

A tecnologia avança e permite o aparecimento de chatbots capazes de “entender” e “validar” sentimentos, sempre prontos a responder, sem julgar nem recusar. Parece ideal, certo? Mas não é!

O conforto digital mascara muitas vezes o que é essencial para qualquer relação humana: lidar com a frustração, com as fases menos boas, com a ambiguidade e a incerteza. Estes momentos são fundamentais para crescermos, aprendermos a aceitar, a gerir e a evoluir juntos.

Vejo com preocupação que muitos jovens (e também adultos) estão a perder a capacidade de enfrentar a rejeição ou o desconforto nas suas relações reais. Se deixarmos que “relacionamentos perfeitos”, instantâneos e sempre positivos, definidos por IA, sejam a referência, então corremos o risco de enfraquecer competências fundamentais como a resiliência e a empatia.

Reconheço e aceito (e utilizo) as potencialidades e vantagens da IA, mas esta não substitui o valor insubstituível dos altos e baixos dos relacionamentos genuínos e a experiência, por vezes de sofrimento, necessárias ao crescimento. A capacidade de questionar, refletir, decidir e aceitar o que sentimos é essencial para o desenvolvimento socioemocional. O sentido crítico, a capacidade de conexão, a tolerância, são competências únicas e exclusivamente humanas e nunca poderão ser automatizadas.

Partilho o link do texto completo para quem quiser aprofundar. Numa era digital como a que vivemos, é urgente continuar a pensar e a aprofundar conhecimento e experiência na construção de relacionamentos genuínos, saudáveis e duradouros. Afinal, a essência humana nunca poderá ser substituída (ainda que possa ser “espelhada” pelos “bots”).

https://www.afterbabel.com/p/artificial-intimacy?r=56i80k&utm_campaign=post&utm_medium=web&showWelcomeOnShare=false

Em vez de comparar e cobrar, valorizar e agradecer!

Numa sociedade que valoriza métricas e produtividade, como é que o espírito de equipa e a gratidão podem transformar a vida em casal?

“Sou sempre eu que trata de tudo cá em casa!”

“Sou sempre eu a decidir e a tratar das férias!”

“Se não fosse o meu trabalho, não teríamos a vida que temos!”

“Tu nunca fazes…”

Estes desabafos são familiares? São questões como estas que muitas vezes surgem na consulta de casal, demonstrando algum descontentamento, frustração e/ou sobrecarga por sentirem que há algum tipo de desequilíbrio na distribuição de tarefas, sejam de cariz doméstico, financeiro ou de logística familiar. Muitos procuram uma divisão total em tudo: nas despesas, nas tarefas, na dedicação emocional. No entanto, os casais saudáveis e duradouros são aqueles que aceitam que cada fase da vida exige diferentes contributos de cada um e que reconhecem o valor do outro, sem inveja e sem vergonha. É muito fácil entrar numa contabilidade e ajuste de contas, tentando ao máximo dividir de igual forma tudo o que se faz ou tudo o que é necessário para a gestão e planeamento da família, como se pudéssemos medir dedicação com tabelas de “Excel”.

Ambos os elementos do casal têm igual responsabilidade na execução e no funcionamento familiar. Para muitos casais é essencial que haja uma divisão 50/50 de tudo o que são tarefas e responsabilidades e isso, dada a natureza diferente de cada um, nem sempre funciona de forma harmoniosa, pois há pessoas com mais habilidade, sensibilidade ou apetência para umas coisas e não tanto para outras. Assim, o sucesso familiar não reside numa “calculadora”, mas sim num verdadeiro trabalho de equipa! E, na verdade, e aludindo a uma comparação futebolística, quem é que faz mais ou quem é mais importante, o guarda-redes ou o ponta de lança? Ambos são importantes e, só juntos, conseguem vencer.

Reduzir a vida a contas ao milímetro (quem faz mais, quem dá mais, quem se sacrifica mais) só traz desgaste, cobranças e ressentimentos silenciosos. O segredo é que haja um verdadeiro trabalho de equipa, complementar, em que cada um põe ao serviço do outro e da família as suas competências e habilidades. O verdadeiro equilíbrio familiar encontra-se não na comparação, mas na cooperação e no reconhecimento mútuo. É importante que ambos valorizem competências, talentos e contributos um do outro, mesmo quando ocorrem em áreas muito diferentes, como a gestão financeira, o cuidado emocional, a organização doméstica ou a gestão educacional.

Ao longo do tempo, é natural que um assuma maior relevância ou destaque em determinadas situações, e outro noutras. Isso não diminui ninguém; mostra, sim, que a família é um todo feito de peças diferentes, mas todas imprescindíveis. O verdadeiro equilíbrio reside numa vivência feita de respeito, cumplicidade e generosidade, na capacidade de apoiar o outro, sem invejas nem listas de créditos, e no reconhecimento, sem esperar retorno imediato ou visibilidade pelo que se faz. Na verdade, a soma de todos os esforços é o que traz bem-estar, segurança e felicidade a toda a família.

A família, e o casal especificamente, não é palco de rivalidades nem de “contagens”, mas um espaço onde todos podem contribuir e, a seu tempo, ser protagonistas. O verdadeiro sucesso está em sentirem-se essenciais, não por aquilo que fazem individualmente ou exibem, mas pelo conforto e equilíbrio que constroem juntos, todos os dias.

Concluindo, forçar o equilíbrio matemático (ou seja, cada um faz exatamente metade) gera frequentemente ressentimentos, cobranças e silêncios. O que sustenta o casal é o compromisso, a disponibilidade para dar o melhor de si ao outro e à família, a dedicação diária e o saber reconhecer o outro e agradecer. Ninguém constrói sozinho (com os seus talentos individuais) um relacionamento de sucesso, são precisos dois, um sentido de “nós”, uma interdependência saudável e complementar, para que o casal seja feliz e cresça em conjunto! Em vez de comparar e cobrar, é preciso valorizar as diferenças e agradecer!

(texto escrito para o Blog do site do Pausa para Sentir)

(imagem Pixabay)

As pessoas serão sempre pessoas!

Terminei mais um grupo de formação com jovens recém-chegados ao mercado de trabalho. Foi muito interessante perceber que, mais do que receber informação e conhecimento, aquilo que mais apreciaram foi a oportunidade para trocarem experiências, para se conhecerem e para se ligarem uns aos outros, experienciando autenticidade e proximidade.
Por mais que o mundo mude, com informação e conhecimento a circular a alta velocidade, com avanços tecnológicos e inovações constantes, o que realmente importa são as relações humanas.

A tecnologia pode reinventar o nosso dia-a-dia e transformar a forma como comunicamos, aprendemos ou vivemos, mas nenhum algoritmo é capaz de substituir a essência dos laços humanos: o respeito, a empatia, a confiança e o amor. Estes são os ingredientes que sustentam relações sólidas e que dão qualidade e sentido à nossa existência, independentemente do contexto em que vivemos.

As pessoas serão sempre pessoas e precisarão sempre de se ligar umas às outras com autenticidade.

O meu propósito

 

Esta citação resume muito daquilo em que acredito. O que me move verdadeiramente é o impacto. É o compromisso de contribuir para uma sociedade em que os relacionamentos sejam mais saudáveis, mais gratificantes e mais duradouros. O meu propósito nasce da vontade de cuidar das relações humanas; de inspirar, provocar reflexão e criar espaço para mudanças consistentes. É esta a missão e o compromisso do Tempo a Dois.

Deram-me uma poção mágica!

Ontem, depois de um longo dia de consultas, saí da clínica já tarde, apressada, ansiosa por chegar a casa, jantar e estar com a minha família. Sentia-me cansada, sem energia, com uma dor de cabeça a querer instalar-se (o corpo a pedir descanso). No meio das conversas sobre o que seria o jantar, lembraram-me de um pequeno detalhe: era preciso comprar uma pilha para o dia seguinte, para uma aula. Curiosamente, este pedido até tinha sido feito com alguma antecedência (quase duas semanas!) “Tenho tempo, depois compro…”, pensei. Mas o tempo foi passando, e, como algumas vezes acontece, só na véspera me lembrei da pilha. Mais um desvio a caminho de casa, quando tudo o que queria era repousar. Sentia-me como um céu de fim de tarde a encher-se de nuvens, o ar a ficar mais denso, a cabeça mais pesada.

Depois de perceber que o primeiro sítio onde me dirigia para comprar a pilha estava fechado, nada como ter de me mentalizar que não ia escapar de uma ida ao shopping… Decidi aproveitar para trazer o jantar de lá, poupando tempo à família. Pilha comprada, missão cumprida, uma nuvem a dissipar-se. Mas ainda faltava o jantar. Enquanto esperava que uma cliente terminasse o seu pedido, dei por mim a contar os minutos, cada vez mais focada na vontade de chegar a casa, cada vez mais sensível ao ruído e à luz, a dor de cabeça a aumentar. Fui atendida, pedi o jantar quase em esforço, e fiquei a aguardar, sozinha, naquele espaço.

Foi então que reparei no rapaz que me tinha atendido. Olhava para mim, talvez intrigado, talvez preocupado. Senti que ele estava a perceber que eu não estava bem e parecia hesitar sobre se devia ou não falar comigo. Em dias normais teria puxado conversa, mas naquele momento simplesmente não consegui. Fiquei ali, em silêncio.

Até que, com um sorriso tímido, ele aproximou-se:

– “É a primeira vez que vem a este restaurante?”

Respondi que não. Mais um silêncio.

– “E estava sempre tudo bom?”

Respondi que sim. Outro silêncio.

– “Já provou a nossa limonada?”

Respondi que não.

Ele olhou para mim com um sorriso mais decidido.

– “Quer experimentar? É mesmo feita por nós.”

Foi aí que o céu se abriu. Aceitei a limonada e, à medida que fui sentindo a frescura e o sabor do limão, senti-me mais leve. Era como se, naquele gesto simples, alguém tivesse cuidado de mim. Uma verdadeira poção mágica.

Cheguei a casa com a cabeça limpa, leve, sorridente, praticamente sem dor. Fiquei a pensar no impacto que aquele pequeno gesto teve no meu bem-estar. A forma como nos relacionamos, como olhamos e cuidamos do outro, pode transformar o dia de alguém, e o nosso também.

Como psicóloga, vejo todos os dias o valor da atenção e da presença genuína. Não precisamos de grandes gestos para fazer a diferença; basta estarmos atentos, disponíveis, presentes. O cuidado com o outro é também um cuidado connosco. Quando nos permitimos estar atentos, não só ajudamos quem está à nossa frente, como também cultivamos o nosso próprio bem-estar.

Por isso, deixo aqui o meu agradecimento àquele rapaz que, com sensibilidade e coragem, me ofereceu um momento de cuidado. Que esta partilha seja um lembrete: todos os dias temos a oportunidade de estar atentos a quem nos rodeia e, com pequenos gestos, contribuir para um mundo mais leve e humano.