A fronteira entre a ligação emocional humana e a ilusão digital está a tornar-se cada vez mais ténue. Que implicações isto terá na saúde mental coletiva?
“The result is chatbots that not only speak well but also feel human. They mirror the user’s tone, offer validation, and provide comfort without fatigue, judgment, or distraction. Unlike humans, they are always available. And people are falling for them. Media reports suggest that people are forming deep emotional attachments to these systems, with some even describing their experiences as love.”
Tenho vindo a ler e a refletir sobre o impacto da inteligência artificial na construção de relações humanas saudáveis e duradouras. Recentemente li um artigo muito interessante sobre “artificial intimacy” e que mostra como os jovens (e todos nós) estamos a reinventar a forma como vivemos e estabelecemos vínculos.
A tecnologia avança e permite o aparecimento de chatbots capazes de “entender” e “validar” sentimentos, sempre prontos a responder, sem julgar nem recusar. Parece ideal, certo? Mas não é!
O conforto digital mascara muitas vezes o que é essencial para qualquer relação humana: lidar com a frustração, com as fases menos boas, com a ambiguidade e a incerteza. Estes momentos são fundamentais para crescermos, aprendermos a aceitar, a gerir e a evoluir juntos.
Vejo com preocupação que muitos jovens (e também adultos) estão a perder a capacidade de enfrentar a rejeição ou o desconforto nas suas relações reais. Se deixarmos que “relacionamentos perfeitos”, instantâneos e sempre positivos, definidos por IA, sejam a referência, então corremos o risco de enfraquecer competências fundamentais como a resiliência e a empatia.
Reconheço e aceito (e utilizo) as potencialidades e vantagens da IA, mas esta não substitui o valor insubstituível dos altos e baixos dos relacionamentos genuínos e a experiência, por vezes de sofrimento, necessárias ao crescimento. A capacidade de questionar, refletir, decidir e aceitar o que sentimos é essencial para o desenvolvimento socioemocional. O sentido crítico, a capacidade de conexão, a tolerância, são competências únicas e exclusivamente humanas e nunca poderão ser automatizadas.
Partilho o link do texto completo para quem quiser aprofundar. Numa era digital como a que vivemos, é urgente continuar a pensar e a aprofundar conhecimento e experiência na construção de relacionamentos genuínos, saudáveis e duradouros. Afinal, a essência humana nunca poderá ser substituída (ainda que possa ser “espelhada” pelos “bots”).
