Quando os pais se separam, a definição do modelo de residência alternada ou conjunta deve ter em consideração diversos fatores. Não há UM modelo ideal, sendo que, seja qual for o modelo definido, deverá garantir o bem-estar da criança. Este “bem-estar” implica o sentimento de segurança e de amor incondicional por parte da mãe e do pai, independentemente do tempo que passam juntos, não tendo que se ver “obrigada” a ter de escolher um em detrimento do outro. Seja qual for o modelo, o importante é que a criança se sinta protegida e amada por ambos os pais e tenha a liberdade para poder relacionar-se com cada um, sem que isso traga inseguranças, sentimentos de culpa, conflitos de lealdade, entre outros sentimentos negativos.
Idealmente, todas as crianças deverão ter a possibilidade de ter contacto e de crescer com o pai e a mãe, sendo estes responsáveis pela proteção e pelo desenvolvimento dos filhos. O exercício da parentalidade implica a criação de vínculos e de relação com os filhos, sendo os pais e a família alargada, como um todo, responsáveis pela estruturação psicossocial da criança (através dos seus valores, princípios, cultura familiar). Cada ser humano, cada criança, além da parte biológica, tem uma herança relativa às experiências vividas no contexto familiar e que vai influenciar a formação da sua própria personalidade, a sua capacidade de se relacionar com os outros, de comunicar, de tomar decisões, de enfrentar ou gerir as adversidades.
O processo de separação/divórcio representa para a criança uma experiência muito stressante a curto, médio e longo prazo. Os filhos querem ambos os pais nas suas vidas, querem sentir-se amados, seguros e protegidos. Não é o divórcio ou a rutura em si mesma que determina as alterações nas crianças, mas sim as variáveis que acompanham a rutura familiar e que continuam a atualizar-se na dinâmica que se cria posteriormente. Uma situação de separação/divórcio implica uma mudança estrutural na família, fazendo surgir um conjunto de emoções, pensamentos e crenças que necessitam de ser geridas, quer pelos pais, quer pela criança. As mudanças que surgem não são só as que são visíveis, como a habitação e bens materiais, sendo também necessário haver a integração e aceitação de uma nova estrutura e conceito familiares.
Falhas ou ruturas do contexto conjugal e familiar conduzem ao aparecimento de situações conflituosas entre os adultos que, inevitavelmente, acabam por afetar a criança. O importante é não esquecer quais são as verdadeiras necessidades da criança e não permitir que o contexto ex-conjugal interfira negativamente com o contexto parental e o contexto paterno-filial. Na verdade, deixa de existir um casal, uma relação conjugal, mas havendo filhos, para o bem destes, deverá manter-se uma relação parental saudável e colaborante e respeitar a necessidade de preservar os vínculos afetivos estruturantes da criança, de forma a assegurar o seu desenvolvimento psíquico e emocional saudáveis.

Ignorar ou negar os sentimentos de uma criança pode prejudicar a sua saúde emocional futura. Perante sentimentos negativos dos filhos, a primeira reação dos pais poderá ser de negação, distração desses sentimentos, como se isso fosse resolver o sofrimento deles. Nenhum pai ou mãe gosta de ver os seus filhos tristes, ou zangados, ninguém gosta de ver sofrer as pessoas que ama. Mas enquanto não confrontarmos os sentimentos, estes não desaparecem, ficam escondidos, “debaixo do tapete”, para um dia mais tarde voltarem a sair do seu esconderijo, provavelmente ainda mais “fortes”, causando problemas maiores. “Pense nisto: quando precisa de gritar mais alto? É quando não é ouvido. Os sentimentos precisam de ser ouvidos.”
John Gottman diz “Successful long-term relationships are created through small words, small gestures, and small acts.” Os casamentos duradouros de sucesso são feitos de pequenas palavras, pequenos gestos e pequenas acções.
Nietzsche dizia ” aquele que tem uma razão para viver pode suportar quase tudo”. Baseando-se nesta premissa, Viktor Frankl refere que “a vida não é essencialmente uma busca de prazer, como pensava Freud, ou uma busca de poder, como ensinou Alfred Adler, mas sim uma busca de sentido. (…) Frankl considerou três possíveis fontes de sentido: o trabalho (fazer alguma coisa significativa), o amor (cuidar de outra pessoa) e a coragem em tempos difíceis. O sofrimento, em si mesmo e por si mesmo, é destituído de sentido; conferimos sentido ao sofrimento pela maneira como lhe reagimos.
“A consequente torrente de mudanças que se segue a uma separação é mais difícil de tolerar se vier acompanhada de acusações, sentimentos de impotência, rejeição ou de fracasso. Quando apostamos em acentuar as nossas diferenças, os nossos defeitos e fraquezas ganham uma luz inusitada. Daí a tornarmo-nos nos «ex» em permanente conflito vai um passo. Rancor, recriminações e ira obscurecem e põem em perigo o nosso objectivo inicial de cooperação (…).
Precisamos de ser positivamente Humanos!
Se quisermos manter-nos atentos e disponíveis para aprender, podemos perceber que as oportunidades de aprendizado são imensas no nosso dia-a-dia. (…)
